A Conferência Internacional de Aids 2026, promovida pela International Aids Society (IAS), está acontecendo no Rio de Janeiro, entre os dias 26 e 31 de julho. Pela primeira vez na América do Sul, a 26ª edição do evento, híbrida, reúne aproximadamente sete mil pessoas, entre pesquisadores, representantes dos governos, membros de organizações não-governamentais, empresas, ativistas e pessoas que vivem com HIV/aids (PVHA). Com programação extensa, inovações, acesso à saúde, preconceito e discriminação estão em pauta.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, tanto em coletiva de imprensa quanto na cerimônia de abertura, destacou a potência do Sistema Único de Saúde, a redução no número de mortes por aids no Brasil, e a luta constante contra o estigma, a discriminação e o preconceito.
Padilha comentou sobre o tema protagonista do evento, o acesso às novas tecnologias. Em seu discurso de abertura, o ministro da Saúde pontuou sobre o protesto realizado por ativistas durante a cerimônia. “Inovação sem acesso é injustiça”, disse.
Os protestos dos ativistas contra a indústria farmacêutica, não só na abertura, mas também durante as atividades, têm como foco principal a Gilead, fabricante do lenacapavir. O medicamento injetável e de longa duração – a cada seis meses- e, consequentemente com melhor adesão, e com eficácia de quase 100% em estudos de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), foi testado no Brasil, mas o país ficou de fora do acordo de distribuição a preço acessível. Com gritos de guerra, os participantes dos protestos pediram a quebra de patente do medicamento.
Ainda sobre medicamentos de PrEP, Padilha anunciou que será enviada, ainda nesta semana, proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para que o medicamento cabotegravir, também injetável de longa duração – a cada dois meses – seja incorporado no SUS.
A cerimônia de abertura contou ainda com falas do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, do diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, do diretor da Organização Panamericana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, e da diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Winnie Byanyima, entre outros.
Beatriz Grinsztejn, presidente da International Aids Society (IAS) e da Aids 2026, também falou sobre acesso, lembrando que, apesar do conhecimento científico e das novas tecnologias disponíveis, muitos ainda vivem sem acesso à saúde. “Hoje sabemos o que funciona. O que impede o fim da epidemia são escolhas políticas, falhas de financiamento, estigma e discriminação”, concluiu.
Foto: autoridades durante coletiva de imprensa na Aids2026